quinta-feira, 2 de abril de 2015

Como ser cristão?



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O trecho abaixo é extraído de meu livro: "Deus é um Delírio?"
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Talvez você tenha aberto esse livro como ateu, e ao chegar aqui concluiu que os argumentos em favor do Cristianismo são mais consistentes dos que os que apóiam o ateísmo. Ou, talvez, você tenha aberto este livro como um cristão ainda fraco na fé, cambaleando, sem segurança naquilo que crê, e precise saber o que fazer daqui para frente. Ou, ainda, você seja um recém-convertido, que precisa de um norte e um direcionamento em sua caminhada cristã. Se você se enquadra em algum destes três diagnósticos, este apêndice é para você. Como ser cristão? O que fazer de agora em diante?

Há alguns que pensam que, para ser cristão, basta ter alguns conceitos em mente, como a morte e ressurreição de Jesus, ou a inspiração da Bíblia, e viver como se isso não fizesse diferença na vida. Outros pensam que para ser cristão é só ir congregar em qualquer igreja que se diga “cristã”, ouvir sentado a uma hora de pregação e depois ir embora. Outros pensam que ser cristão é ter sido batizado quando criança, ser registrado em alguma igreja e mais nada. Pessoas que pensam assim, infelizmente, não são cristãs – podem ser alguma coisa perto disso, mas não isso. Mas por pensamentos errôneos como esses serem tão difundidos é necessário um esclarecimento sobre o que é ser cristão.

Ser cristão, em primeiro lugar, e acima de qualquer outra coisa, é praticar o que a Bíblia ensina. A Bíblia não ensina somente a congregar em um lugar. Ela ensina isso, mas não somente isso. A Bíblia não ensina somente que Jesus morreu por nós para que fôssemos salvos. Ela ensina isso, mas não somente isso. A Bíblia não ensina somente que devemos nos batizar e participar da Santa Ceia. Ela ensina isso, mas não somente isso. Um verdadeiro cristão é alguém que segue Jesus em sua totalidade, e não parcialmente. É alguém que coloca em prática os ensinamentos bíblicos, que tenta viver como Jesus viveu, que ama ao próximo como a si mesmo, que persevera na moral cristã e que, acima de tudo, vive com o objetivo de chegar o mais próximo de Deus, e de desfrutar de uma comunhão profunda com Ele.

É possível sentir Deus, ouvir Deus, ser usado por Deus, mover o coração de Deus. A vida eterna é certamente futura, e somente nela desfrutaremos desta proximidade com Deus em sua plenitude, mas não precisamos esperar até lá para convivermos com Deus e sermos, como a Bíblia nos chama, amigos de Deus (Jo.15:15). É possível já hoje nos aproximarmos dele “com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade” (Hb.4:16). Este deve ser o alvo, o objetivo maior e principal de todo e qualquer verdadeiro cristão: chegar a Deus.

Toda a teologia é apenas um conjunto de regras e doutrinas que, se seguidas, nos levarão para mais perto dele. Na medida em que nos aproximamos dele, a vida de Deus se faz cada vez mais presente em nossa vida. Na medida em que nos arrependemos deixamos para trás os pecados anteriormente cometidos; na medida em que nos tornamos novas criaturas somos mais moldados à imagem e semelhança Daquele que é perfeito; na medida em que oramos vamos sendo transformados por Deus para que ele faça em nossas vidas o que agrada a ele; na medida em que nos chegamos a Deus vamos sendo inflamados por um amor ao próximo que não tínhamos antes; na medida em que lemos as Escrituras nos tornamos mais sábios para refutar heresias e estabelecer a verdade da fé. Cada passo novo em direção a Deus é também uma inserção contínua da vida dele em nós.

Como podemos nos aproximar de Deus? Há três meios básicos, explanados ao longo de toda a Bíblia: oração, louvor e meditação bíblica. Paulo disse: “orai sem cessar” (1Ts.5:17). Isso porque, quanto mais oramos, mais comunhão com Deus estabelecemos, e mais próximos dele ficamos. Coisas que não aconteceriam caso não orássemos passam a acontecer se orarmos. Mas a oração não é simplesmente um método para conseguirmos de Deus aquilo que queremos dele, mas, acima disso, é um meio pelo qual Deus consegue aquilo que ele quer de nós. Quanto mais oramos, mais o nosso coração vai sendo continuamente tratado por Deus, mais somos moldados, lapidados, aperfeiçoados e transformados à semelhança dEle, e mais Deus consegue nos levar ao lugar que ele tem preparado para nós, ao cumprimento do plano que ele tem para com nossas vidas.

A oração rompe a barreira que interpõe o mundo natural com o sobrenatural, é capaz de mover o coração de Deus em nosso favor e de transformar vidas humanas para mais próximo dEle. Essa oração, por sua vez, deve ser algo que flua naturalmente, algo espontâneo, assim como conversamos com um amigo. Excetuando expressões corriqueiras como “olá” e “até mais”, nós não costumamos ter uma conversa pré-programada e decorada quando falamos com um amigo nosso, e não repetimos essa mesma conversa dia após dia. Se a Bíblia diz que nós somos amigos de Deus (Jo.15:15), e nós tratamos nossos amigos espontaneamente, com Deus deve ser igual. É por isso que Jesus disse:

“E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos” (Mateus 6:7)

Os pagãos pensavam que Deus iria ouvi-los se eles ficassem repetindo as mesmas frases o tempo todo, como se Deus fizesse vista grossa à primeira “tentativa” e só decidisse atender à oração caso o indivíduo repetisse aquela mesma frase dezenas e dezenas de vezes... inutilmente. O Deus cristão não é assim. Ele nunca pediu para nós repetirmos nada. Ele deu o Pai Nosso como uma oração modelo, mas nem o Pai Nosso era repetido ao pé da letra pelos apóstolos (todas as orações presentes na Bíblia foram diferentes umas das outras!).

O que Jesus quer não é a repetição, da mesma forma que você ficaria entediado se o seu melhor amigo vivesse repetindo sempre as mesmas coisas para você o tempo todo. O que queremos é relacionamento, e relacionamentos só existem onde há espontaneidade, naturalidade, algo que flui, que emociona, que sai da alma e que mexe com o coração. É por isso que não é pela repetição que receberemos alguma coisa. Deus não é o tipo de amigo que fica de birra e só te atende se você pedir insistentes vezes a mesma coisa – mas sim o tipo de amigo que te atende se você for sincero, honesto e ir espontaneamente à presença dEle em oração, derramando o seu coração diante dEle e abrindo o jogo com Ele sobre qualquer coisa que seja. Foi por isso que Paulo disse:

“Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os seus corações e as suas mentes em Cristo Jesus” (Filipenses 4:6-7)

A Bíblia não prescreve fórmulas de oração que deveriam ser repetidas ao pé da letra dezenas e dezenas de vezes pelos futuros cristãos, como uma espécie de “mantra”. Era isso o que os pagãos faziam, e foi isso o que Jesus condenou. Infelizmente, muitos ainda oram assim hoje – praticamente, desperdiçam o tempo de oração. O que a Bíblia prescreve é a súplica, a ação de graças e os pedidos espontâneos a um Deus que não fica satisfeito por ouvir as mesmas palavras milhares de vezes, mas sim em ver um coração quebrantado que mudou para melhor e que está avançando cada vez mais em direção a Cristo, em intimidade com ele.

A segunda forma de se aproximar de Deus é por meio do louvor. Aparentemente, cantar músicas a Deus pode parecer sem sentido. Por que teríamos que fazer isso? A resposta é simples: amor. Alguém que ama verdadeiramente uma pessoa se sacrifica por ela. Deus amou o mundo de tal maneira que se sacrificou por nós, através da pessoa de Seu filho Jesus Cristo. E nós o amamos de tal maneira que retribuímos em forma de adoração por quem Ele é e por tudo aquilo que fez em nosso favor. Os homens costumam compor músicas em homenagem à sua esposa – uma pessoa falha – por que nós não deveríamos fazer o mesmo em relação ao Deus eterno e perfeito, ao nosso Criador, que nos ama muito mais do que qualquer pessoa já nos amou ou possa nos amar?

Além disso, é normal prestarmos maior honra para alguém de maior importância. Nós não tratamos os nossos pais da mesma forma que tratamos os nossos irmãos, por exemplo. Os pais merecem honra maior, mais respeito. Da mesma forma, costumamos honrar mais as autoridades, como juízes, governantes, presidentes, etc. Um aluno tem o dever de prestar mais honra a um professor do que a outro aluno como ele. Semelhantemente, prestamos mais reverência a pessoas boas do que a pessoas más. Homens como Nelson Mandela, que sofreu durante décadas injustamente em uma prisão por motivos políticos e que deu grandes contribuições à humanidade são muito mais honrados do que pessoas normais, e as pessoas normais são muito mais honradas do que pessoas do mal, como Hitler e Stalin.

Então vemos que existem dois tipos de pessoas que merecem honra maior, quanto maior for: (a) a sua autoridade; (b) o seu mérito. Quanto maior for a autoridade e o mérito de uma pessoa, mais honra, respeito e reverência temos para com ela. A questão é que Deus é o Supra-Sumo da autoridade, pois é Deus, é o Criador do Universo, é o Todo-Poderoso. E ele também tem o máximo de mérito, porque como homem (na pessoa de Jesus Cristo) viveu uma vida perfeita, sem pecado, e seus ensinos revolucionaram a civilização e deu vida e esperança há milhões de pessoas. Ele sofreu e morreu injustamente e em nosso favor, em sacrifício voluntário para nos oferecer a salvação, na maior expressão altruísta que é possível ser concebida. Portanto, Deus é digno de todo o máximo de respeito, o máximo de honra e o máximo de reverência, e a este "máximo" de tudo isso é o que chamamos de adoração, cuja expressão mais perfeita é através do louvor.

Há, por fim, a meditação na Palavra de Deus como a terceira via para nos achegarmos a ele. Muitas pessoas pensam, lamentavelmente, que a leitura da Bíblia é um dever somente dos líderes religiosos, ou que seus benefícios se limitam a “conhecimento teológico” e mais nada. Não nego que os líderes tenham uma obrigação maior de ler e dominar as Escrituras do que o povo comum (pois ele vive disso), da mesma forma que um professor de história tem mais responsabilidade de conhecer a história do que os seus alunos, ou do que um professor de outra matéria.

Da mesma forma, não nego que a Bíblia traga conhecimentos teológicos, inclusive em questões doutrinárias difíceis que poucas pessoas, a não ser os teólogos, têm interesse em discutir. No entanto, a Bíblia não é e nem deve ser tratada como um livro comum, cuja contribuição e valor seja igual aos demais livros. A Bíblia, por ser a Palavra de Deus, é um alimento espiritual diário que sustenta o espírito e que nos leva a uma dimensão mais profunda em nosso relacionamento com Deus. De certa forma, Deus fala conosco através da Sua Palavra, que nos serve de consolo, de auxílio e de direcionamento espiritual até nas questões mais simples e práticas da vida.

O salmista disse que meditava na Palavra de Deus de dia e de noite (Sl.1:2), Paulo instruiu Timóteo à leitura pública das Escrituras (1Tm.4:13) e disse também que “toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra” (2Tm.3:16-17). A leitura diária da Bíblia nos faz mais sábios, nos deixa mais perto de Deus, nos direciona na direção certa nas questões do dia-a-dia e nos serve de guia e regra de fé na caminhada cristã – e estes preceitos são indispensáveis para qualquer cristão, seja ele um teólogo ou não.

Juntos, estes três elementos (oração, louvor e leitura da Bíblia) formam o tripé da fé, pela qual o cristão está de pé ou cai. Quanto mais um cristão ora, louva a Deus e medita em Sua Palavra, mais próximo ele está de Deus, mais garantido ele está em sua própria salvação, mais aperfeiçoado espiritualmente ele estará e mais dará os frutos do Espírito, que resultam em um coração cheio de graça, amor, justiça e misericórdia para com todos, até mesmo para com os inimigos. Ele se tornará um vaso de Deus usado para a honra, por meio do qual o Espírito Santo trabalha, transformando o seu caráter e o tornando mais próximo do caráter de Cristo, que deve ser sempre o nosso espelho em todas as coisas da fé.

Por outro lado, se o cristão não ora, não louva a Deus e nem lê a Bíblia, ele se torna como um maratonista profissional que não treina, e que está fatalmente fadado ao fracasso na hora da corrida. Da mesma forma, o cristão que não busca a Deus diariamente e com paixão estará fadado a fracassar na corrida da fé, a não conseguir resistir nem às mais mínimas tentações, a viver caído no pecado, a esfriar em amor a Deus e a apostatar de uma vez. É preciso determinação e perseverança naquilo que é o mais importante nesta vida, ainda mais do que aquilo que demonstramos pelas coisas terrenas e menos importantes. O apóstolo Paulo expressou este pensamento por meio de uma analogia, onde diz:

“Vocês não sabem que dentre todos os que correm no estádio, apenas um ganha o prêmio? Corram de tal modo que alcancem o prêmio. Todos os que competem nos jogos se submetem a um treinamento rigoroso, para obter uma coroa que logo perece; mas nós o fazemos para ganhar uma coroa que dura para sempre. Sendo assim, não corro como quem corre sem alvo, e não luto como quem esmurra o ar. Mas esmurro o meu corpo e faço dele meu escravo, para que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo não venha a ser reprovado” (1ª Coríntios 9:24-27)

E também:

“Nenhum soldado se deixa envolver pelos negócios da vida civil, já que deseja agradar aquele que o alistou. Semelhantemente, nenhum atleta é coroado como vencedor, se não competir de acordo com as regras. O lavrador que trabalha arduamente deve ser o primeiro a participar dos frutos da colheita. Reflita no que estou dizendo, pois o Senhor lhe dará entendimento em tudo” (2ª Timóteo 2:4-7)

Estes são os aspectos individuais que fazem de você legitimamente cristão. Uma vez que você segue a estes princípios, você se torna aquilo que a Bíblia chama de Igreja. De acordo com a Concordância de Strong, a Igreja é “a totalidade dos cristãos dispersos por todo o mundo”[1]. Você não é a Igreja sozinho, mas é um membro da Igreja que, junto aos demais cristãos, forma aquilo que a Bíblia chama de “Corpo de Cristo”, um sentido comunitário que expressa a comunhão entre todos os legítimos cristãos. A palavra “Igreja” vem do grego ekklesia, que significa os “chamados” (klesia) “para fora” (ek). Os “chamados para fora” são os crentes que se libertam das cadeias do pecado para viver uma vida dedicada a Cristo. Estes são os que adoram a Deus em espírito e em verdade (Jo.4:23), estes são os que guardam os mandamentos de Deus e o testemunho de Jesus Cristo (Ap.12:17), estes são a Igreja.

Neste sentido bíblico de Igreja, a Igreja não é uma instituição ou denominação religiosa A ou B, nem mesmo um templo ou um lugar geográfico em especial, mas são os próprios cristãos, os que seguem a Bíblia, que vivem em santidade e que buscam a Deus. Foi assim que Paulo se referiu à Igreja que se reunia na casa de Árquipo e à Igreja que se reunia na casa de Áquila:

“À irmã Áfia, a Arquipo, nosso companheiro de lutas, e à igreja que se reúne com você em sua casa (Filemom 1:2)

“As igrejas da província da Ásia enviam-lhes saudações. Áqüila e Priscila os saúdam afetuosamente no Senhor, e também a igreja que se reúne na casa deles (1ª Coríntios 16:19)

“Saúdem Priscila e Áqüila, meus colaboradores em Cristo Jesus. Arriscaram a vida por mim. Sou grato a eles; não apenas eu, mas todas as igrejas dos gentios. Saúdem também a igreja que se reúne na casa deles (Romanos 16:3-5)

As casas, naquela época de dura perseguição imposta pelo império romano aos cristãos, eram o equivalente ao que os templos ou instituições são hoje em dia. Paulo, contudo, não nos diz que aquela casa é a Igreja, mas sim que a Igreja se reúne naquela casa – i.e, os próprios cristãos, que estavam ali reunidos, é que eram a Igreja! A Igreja, biblicamente, é o Corpo de Cristo (Ef.1:22-23), e este Corpo de Cristo somos nós, os próprios cristãos, e não uma instituição religiosa (1Co.12:27). É por isso que Estêvão diz que “Deus não habita em templos feitos por mãos de homens” (At.7:48), porque a Igreja não são templos ou instituições, mas pessoas. Essa é a razão pela qual Paulo declara que nós somos o “templo do Espírito Santo” (1Co.3:16).

É por ignorarem o verdadeiro significado de “Igreja” à luz da Bíblia que tantas igrejas brigam entre si até a morte, para ver quem “prova” que é a “verdadeira Igreja de Cristo”. Eles estão procurando a “instituição verdadeira”, enquanto nós estamos procurando Jesus, e nada além dele. Nossa busca não é centrada em homens, em templos ou em instituições religiosas, mas em Cristo, em buscá-lo e em amá-lo cada dia mais. Instituições, infelizmente, são falhas, e o passado e o presente são prova disso. Não há nenhuma igreja [em sentido físico e visível] perfeita. Há igrejas melhores do que outras, mas nenhuma que chegue à perfeição moral ou doutrinária. O Dr. Russell Norman Champlin expressou isso muito bem quando disse:

“Basta um pouco de exame para mostrar-nos, de pronto, que todos os sistemas têm algumas verdades que outros sistemas negligenciam ou rejeitam, e nenhuma denominação cristã à face da terra pode afirmar ser a única e verdadeira Igreja de Cristo. De fato, as denominações são apenas seitas[2] que representam a Igreja cristã sob diferentes ângulos, com sua mistura particular de verdade e erro. Essa é uma verdade combatida em toda a parte e por todos, mas que é verdade, no entanto”[3]

E ele então complementa:

“...Isso não significa, contudo, que todas as denominações cristãs sejam iguais quanto à proporção da verdade que defendem”[4]

O objetivo do cristão não deve ser “procurar a Igreja perfeita”, pois igrejas são inevitavelmente falhas, e não demorará muito para alguém atento perceber isso. Se o cristão for procurar a “igreja perfeita” para congregar, ele não vai congregar nunca em lugar nenhum, e corre ainda o risco de terminar na apostasia. É por isso que a busca do cristão, acima de tudo, deve ser por um relacionamento pessoal com Jesus, e não por instituições. Isso não significa, no entanto, que encontrar um grupo religioso para congregar junto a irmãos (seja em casas, em templos, em praças, em parques ou onde quer que seja) seja “errado”, pois a Bíblia ensina o princípio de congregar com os irmãos da fé:

“Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o Dia” (Hebreus 10:25)

O autor de Hebreus diz para congregarmos, e a razão pela qual ele insiste nisso é para que “encorajemo-nos uns aos outros”. É essa a importância de congregações: o encorajamento mútuo na fé. É para isso que existem igrejas, ainda que falhas como realmente são. Um crente que não congrega em igreja nenhuma tende cada vez mais a esfriar na fé e a terminar como um ateu, ainda que em um ateu não-professante. Isso porque, ao nos reunirmos como igreja, nós não estamos apenas ouvindo uma pregação uma vez por semana, mas estamos também tendo comunhão com outros irmãos da fé, estamos falando de Jesus com eles, estamos interagindo com pessoas que (pelo menos em teoria) são bons exemplos e que podem nos ajudar a crescer na fé e a nos encorajar neste caminho.

Uma vez que a pessoa deixa de congregar em qualquer igreja, o que quase sempre acontece é que ela perde o contato com seus irmãos cristãos, e abre a porta para outro tipo de contato, o “mundano”, onde ela se vê rodeada por pessoas que não compartilham nenhuma fé cristã, que não tem um mínimo de temor a Deus e que vivem uma vida de devassidão e de entrega ao pecado. O provérbio popular que diz: “Diga-me com quem tu andas, e eu te direi quem tu és”, é mais verdade do que qualquer outra coisa. Isso é verdade pelo simples fato de que as nossas companhias geralmente vão influenciando o nosso modo de pensar e de agir.

Isso pode ser bom ou ruim. No caso de companhias cristãs, isso é bom. Serve para crescer na fé junto com elas. Mas, no caso de companhias mundanas, se aplica o que Paulo disse: “As más companhias corrompem os bons costumes” (1Co.15:33). É por isso que na esmagadora maioria das vezes em que uma pessoa cristã se casa com uma descrente (alguém que não vive para Deus), pensando que vai “convertê-la”, não apenas não consegue converter a outra pessoa, como também se esfria na fé e com o tempo nem ele próprio está mais congregando. Este é um processo gradual e lento, mas que acontece mais cedo ou mais tarde, na esmagadora maioria dos casos.

É por isso que é tão importante estar em boa companhia, com pessoas que compartilham da mesma fé, que falem de Deus, que te encorajem na busca pela santificação e nos trilhos do evangelho. E o local onde essas pessoas se reúnem para este fim é exatamente o que chamamos de igreja, em seu sentido visível. Igrejas são falhas, sim, mas são necessárias, porque o contrário a isso é muito pior. Existem pessoas hipócritas na igreja, mas existem mais ainda fora dela. É melhor suportar os erros de cristãos falhos dentro da igreja do que depois parar em festas rave, em orgias mundanas, no alcoolismo, no mundo das drogas, na prostituição ou nos vícios – como eu já vi acontecer com muita gente.

Se você se acha tão melhor do que esses “cristãos falsos e hipócritas”, então seja você mesmo um exemplo de “cristão verdadeiro e exemplar”, ao invés de deixar a igreja. A obrigação do cristão forte na fé é de “suportar a fraqueza dos fracos” (Rm.15:1), e não de deixar os fracos morrendo espiritualmente. Se os cristãos fortes deixam a igreja por existirem cristãos fracos, estes cristãos fracos ficarão cada vez mais fracos. Eles estão fracos justamente porque muitos dos “fortes” não lhes ajudam a crescer na fé, mas os julgam por seus erros e falhas e depois os abandonam, para congregar em outro lugar ou em lugar nenhum. Se o forte ajudasse o fraco, o fraco cresceria ao ponto de se tornar forte. É precisamente este o propósito da igreja: crescimento mútuo.

O apóstolo Paulo escreveu sobre isso por meio da analogia do corpo:

“Assim como cada um de nós tem um corpo com muitos membros e esses membros não exercem todos a mesma função, assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros. Temos diferentes dons, de acordo com a graça que nos foi dada. Se alguém tem o dom de profetizar, use-o na proporção da sua fé. Se o seu dom é servir, sirva; se é ensinar, ensine; se é dar ânimo, que assim faça; se é contribuir, que contribua generosamente; se é exercer liderança, que a exerça com zelo; se é mostrar misericórdia, que o faça com alegria” (Romanos 12:4-8)

E Pedro disse também:

“Cada um exerça o dom que recebeu para servir aos outros, administrando fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas. Se alguém fala, faça-o como quem transmite a palavra de Deus. Se alguém serve, faça-o com a força que Deus provê, de forma que em todas as coisas Deus seja glorificado mediante Jesus Cristo, a quem sejam a glória e o poder para todo o sempre. Amém” (1ª Pedro 4:10-11)

Em outras palavras, qualquer coisa na qual sejamos bons ou que tenhamos algo pelo qual possamos ajudar o próximo, devemos usá-lo para ajudar os irmãos, edificando o próximo naquilo que lhe falta e sendo edificado pelo próximo naquilo que te falta. Eu posso fazer a minha parte escrevendo este livro (dom de ensino), outro pode fazer a parte dele curando (dom de cura), outro pode fazer a parte dele profetizando (dom de profecia), outro pode fazer a parte dele servindo (dom de servir), e assim por diante. A igreja deve ser um grande hospital para curar os doentes, e não um grande museu para expor os “santos”. Não abandone o seu irmão, mas sirva-o, ajude-lhe em sua fraqueza, faça a sua parte, e deixe que Deus julgue o próximo se ele não está fazendo a parte dele, não se perturbe por isso.

Paulo usou a analogia do corpo com relação à igreja também em 1ª Coríntios 12 (recomendo a leitura do capítulo inteiro), onde cada cristão é retratado como um “membro” que tem algum dom, talento ou função para desempenhar sobre alguma coisa, e ele deve usar isso que ele tem para ajudar os outros membros, porque nenhum membro consegue sobreviver sozinho – eu preciso de você, você precisa de mim e todos nós precisamos de Cristo. Então Paulo conclui com a finalidade pela qual esse “corpo” (igreja) existe:

“...a fim de que não haja divisão no corpo, mas, sim, que todos os membros tenham igual cuidado uns pelos outros” (1ª Coríntios 12:25)

A “divisão no corpo” é um membro que é aleijado dos demais membros do corpo (alguém que tem uma carência em uma determinada área e que não vê essa carência sendo suprida), e o propósito da igreja é que todos tenham igual cuidado uns pelos outros – é a edificação mútua, da qual o autor de Hebreus falava. É para isso que cristãos falhos se reúnem com outros cristãos falhos: para ajudá-los em suas fraquezas, pois ninguém é falho em tudo, e ninguém é certo em tudo. Se todos levassem a sério este significado e propósito de igreja, não teríamos carência nenhuma no corpo de Cristo – algo que, infelizmente, ainda estamos muitíssimo distantes de conseguir.

O outro aspecto importante ao escolher uma igreja (local onde se reunir com demais cristãos) é o doutrinário. A doutrina não é um elemento secundário, mas anda de mãos dadas com a moral, porque, como vimos no capítulo 11 deste livro, existem doutrinas que podem afastar um cristão da fé e até mesmo conduzi-lo ao ateísmo. Essa é a razão pela qual o cristão deve buscar uma igreja que prega um evangelho mais puro e próximo da verdade. Mais uma vez, vale repetir que você não vai encontrar uma igreja isenta de erros, mas pode ser que encontre alguma com poucos erros, ou sem erros em questões importantes para a salvação.

Para tanto, é preciso, acima de tudo, que esta igreja ensine um evangelho cristocêntrico. O apóstolo Paulo era o que mais temia a descentralização do evangelho, que no Novo Testamento está totalmente focado em Jesus. Ele disse:

"O zelo que tenho por vocês é um zelo que vem de Deus. Eu os prometi a um único marido, Cristo, querendo apresentá-los a ele como uma virgem pura. O que receio, e quero evitar, é que assim como a serpente enganou Eva com astúcia, a mente de vocês seja corrompida e se desvie da sua sincera e pura devoção a Cristo" (2ª Coríntios 11:2-3)

A “virgem pura”, que Paulo se refere, é alguém que está dedicado e comprometido com unicamente uma só pessoa: o marido, que neste caso é Jesus. Paulo temia que a mente daqueles cristãos se desviasse de um evangelho centrado unicamente em Cristo, e que eles começassem a ser devotos de outros que não fosse Jesus. Infelizmente, isso é realidade em certas igrejas que tem devoções a “santos” e a “santas”, que descentralizam Cristo e que ensinam um evangelho onde Jesus está escondido em algum lugar nos escombros da teologia, e onde outras pessoas dividem ou até mesmo tomam o lugar de proeminência absoluta de Cristo.

Mas Deus já dizia:

“Eu sou o Senhor; esse é o meu nome! Não darei a outro a minha glória nem a imagens o meu louvor (Isaías 42:8)

E João também alertou:

“Todo aquele que não permanece no ensino de Cristo, mas vai além dele, não tem Deus; quem permanece no ensino tem o Pai e também o Filho” (2ª João 1:9)

O propósito do ministro (sacerdote) da igreja não deve ser outro além deste: levar as pessoas a Cristo. O propósito não deve ser de levar pessoas a alguém além dele, ou de criar devotos de gente que já morreu, ou de imagens sem vida, e muito menos de apontar para si próprio, mas sim se voltar para aquele que venceu a morte e ressuscitou, ao Rei dos reis e Senhor dos senhores (Ap.19:16), o nosso eterno e bendito Senhor Jesus Cristo. Qualquer outro que seja o propósito do ministro é um desvio do propósito, e nada a mais que isso.

O ministro deve zelar por suas ovelhas, fazendo o máximo para levá-las a uma dimensão mais profunda no viver com Deus, evitando que elas caiam em pecado. O pecado é exatamente aquilo que se interpõe entre nós e Deus. É um canal obstruído por lixo e sujeira espiritual, e que precisa ser urgentemente removido para que possamos ter acesso a Ele. Um cristão que vive no pecado, mesmo que também busque a Deus em outras coisas, é como alguém que treina pesado para ganhar uma corrida, mas que come muitos bolos, sanduíches e batata frita – termina gordo e não ganha nada. O pecado serve para o cristão da mesma forma que o chocolate serve para alguém que está fazendo regime tentando emagrecer. Muitos cristãos brincam com o pecado, pensando que podem pecar à vontade (ou até certo ponto) que não tem problema. O problema existe, e ele é gigantesco. Tais pessoas estão zombando de Deus, pensando que podem conciliar a fé e a imoralidade, vivendo como um crente “Raimundo” (um pé na igreja e outro no mundo).

Para estas pessoas, o autor de Hebreus foi enfático e muito claro ao dizer que “sem santidade ninguém verá ao Senhor” (Hb.12:14). Ele não disse que sem santidade as pessoas verão ao Senhor depois de passarem por um purgatório, ou por um limbo, ou que algumas pessoas sem santidade não o verão, mas sim que ninguém pode ver a Deus se não viver uma vida de santidade, comprometida com Deus. Um crente que vive com Deus e que se ausenta da prática do pecado é como um corredor exemplar, que regula sua alimentação e que treina bastante para a corrida, e no final ganha a prova. Essa deve ser a missão número um de todo e qualquer ministro: pregar de tal forma que conscientize os ouvintes sobre a necessidade de se fugir do pecado e de se buscar a Deus.

Infelizmente, o diabo tem conseguido ofuscar essa mensagem evangélica por meio de falsos evangelhos, como o da prosperidade, onde o evangelho da cruz é substituído pelo do dinheiro, e no lugar onde os ministros deveriam estar pregando sobre lutar contra o pecado e viver para Deus há, na verdade, uma pregação fútil, completamente antropocêntrica e absolutamente herética segundo a qual o objetivo do crente nesta vida é de prosperar nesta terra e obter a “bênção”, a “vitória” e o “sucesso”. Este é o pior câncer na igreja evangélica nos dias de hoje. É claro que não são todas as igrejas que ensinam isso, mas uma parte muito significativa – joio infiltrado no meio do trigo (veja Mateus 13:24-33).

As pessoas saem do culto dessas igrejas pensando no dinheiro, no emprego novo, no carro do ano e na “vitória” (seja lá o que isso signifique), ao invés de saírem de lá abatidas pelo seu próprio pecado, com um desejo imenso e profundo de arrependimento, de consertar sua vida com Deus e de passar a viver dali em diante intensamente em Cristo, por Cristo e para Cristo. Este é o único, real e essencial objetivo do verdadeiro ministro – seja ele da Palavra ou do louvor. Qualquer líder religioso que não ensine isso deve ser identificado como um falso ministro – um que trabalha para aquele que quer afastar as pessoas de seu alvo maior, até mesmo quando as pessoas estão dentro da igreja!

O ministro também tem que ter a mentalidade de servo, e não de “senhor”. Este é um problema muito grande em nossa sociedade, pois os pregadores são tratados como autoridades que estão acima dos “comandados”, e estes “comandados”, por sua vez, devem servir ao “líder”. A realidade bíblica é exatamente o contrário: o pastor é aquele cara que está ali justamente para ser servo e servir aos outros, e não para ser servido! O pastor é alguém que, pelo menos em teoria, deveria ser o que mais deveria se doar pelo próximo. Se há uma “autoridade” aqui, deveria ser do leigo sobre o pastor, e não do pastor sobre o leigo! Jesus falou sobre isso nas seguintes palavras:

“Vocês sabem que aqueles que são considerados governantes das nações as dominam, e as pessoas importantes exercem poder sobre elas. Não será assim entre vocês. Pelo contrário, quem quiser tornar-se importante entre vocês deverá ser servo; e quem quiser ser o primeiro deverá ser escravo de todos. Pois nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Marcos 10:42-45)

O pastor deve ser o maior exemplo dentro da igreja, o mais humilde, o que está mais apto a servir o próximo, incluindo os membros mais fracos na fé e os de menor aquisição financeira. Tragicamente, há muitas igrejas onde somente os “bons dizimistas” (e mais ricos) são honrados, e os pobres são desprezados. Há, igualmente, igrejas onde o pastor é tratado como um semi-deus, um ser intocável, uma espécie de papa da denominação, contradizendo gritantemente o ensinamento bíblico que inverte esta condição de servo/senhor, líder/liderado, autoridade/subordinados.

Boa parte da culpa pela apostasia e frieza na fé dos irmãos da igreja é dos próprios pastores, e não dos leigos. Os pastores geralmente tentam jogar no leigo a culpa pela sua apostasia, e de fato é possível mesmo que um leigo apostate somente por sua própria culpa, mas na esmagadora maioria das vezes é a doutrina errada, a igreja errada ou o pregador errado que faz com que o leigo fique com um pé atrás até cair de uma vez. Pregadores que se colocam como dominadores do rebanho, que ensinam falsas doutrinas, que desviam o foco da cruz, ou que simplesmente pregam de maneira chata, monótona e de dar sono, realmente não devem esperar muita coisa, da mesma forma que um torcedor de futebol, por mais que ame o seu time, não vai querer continuar indo no estádio se o time sempre jogar mal e perder.

É preciso, acima de tudo, uma autoreflexão, onde os pastores possam humildemente reconhecer seus erros e limitações, e ver neles a responsabilidade maior pela apostasia em sua igreja, ao invés de jogar a culpa nas costas de outra pessoa[5]. O pastor deve ser o maior exemplo e deve se esforçar ao máximo para ser um espelho para o resto da comunidade, assim como Paulo dizia: “sede meus imitadores, assim como eu sou de Cristo” (1Co.11:1), e para isso deve buscar sempre se aperfeiçoar cada vez mais para não ser um motivo de escândalo ou pedra de tropeço, mas sim um “vaso de honra” (2Tm.2:21), “qualificado para toda boa obra” (2Tm.3:17).

Por fim, mas não menos importante, está aquilo que a Bíblia chama de perseverança. O pastor Luciano Subirá costuma dizer que a vida cristã não é uma corrida de 100 metros, mas uma maratona. A vida cristã não é “quanto você corre nos primeiros dias que você se converte”, mas sim “como você está ao longo de toda a caminhada”. Há multidões de conversões genuínas à fé que depois terminam em nada – ou em coisas piores que isso. Eles deram o primeiro passo, correram rápido os primeiros 100 metros, mas se esqueceram de que a corrida da fé não é uma corrida dos 100 metros, mas uma maratona que exige esforço, empenho, dedicação e perseverança até o fim.

Ao ver as imagens dos cadáveres do monte Everest[6], ficamos abismados em descobrir ali pessoas extremamente dedicadas àquilo (e muito dedicadas, pois são poucos os que ousam subir o monte mais alto do mundo!) e que, mesmo assim, fracassaram em sua tentativa, e morreram por ali mesmo, alguns quando já estavam quase no topo, e outros antes. Semelhantemente, há pessoas que começam com tudo sua caminhada cristã, tão empenhadas quanto aqueles alpinistas estavam antes de subir o Everest, mas as circunstâncias da vida as levam a desistir da fé, e a não concluírem aquilo que começaram.

Infelizmente, tais pessoas não apenas não atingem o cume (objetivo), mas também tem seus nomes apagados na história. Não sabemos seus nomes, seus sonhos, suas aspirações. Nós não podemos ser como aqueles que começaram e que desistiram, e que terão seus nomes para sempre apagados do livro da vida, mas sim como aqueles que, por meio da perseverança e da fé, receberão a vida eterna que lhes foi prometida.

Por Cristo e por Seu Reino,


        






[1] Concordância de Strong, 1577.
[2] Champlin não usou o termo “seita” no sentido popularmente conhecido, relacionado a “heresia” ou “heterodoxia”, mas sim em seu sentido original, de facções ou partes de algo maior.
[3] Russell Norman Champlin, Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia, Volume 3, 7ª Edição, 2004, Editora Hagnos, p. 219.
[4] ibid.
[5] Como já foi dito, é verdade que nem sempre a apostasia é decorrente de um problema do pastor, porque Judas teve o maior pastor de todos os tempos, e ele apostatou mesmo assim (o mesmo aconteceu com os apóstolos). Mesmo assim, é indiscutível que estes casos são exceções nos tempos bíblicos, e se hoje é regra é por culpa da igreja – algo que ela deve estar fazendo de errado e que não percebe, ou não reconhece. Isso obviamente não isenta o apóstata de sua própria responsabilidade, pois cada um dará contas de si mesmo a Deus (Rm.14:12).

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