quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

O argumento da lei moral (resumido)


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O trecho abaixo é extraído de meu livro: "As Provas da Existência de Deus", de autoria minha e de Emmanuel Dijon, disponível gratuitamente para download
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O Argumento da Moralidade ensina que os princípios morais que o ser humano possui não foram criados pelo acaso, pela seleção natural ou por uma evolução biológica, mas por Deus. Como toda Lei tem um Autor, cremos que Deus seja o autor da Lei Moral que está implantada no coração de cada ser humano. Por que sabemos que assassinar, roubar, estuprar, enganar e torturar é errado? Por causa dessa Lei que possuímos em nosso interior. A existência desta Lei é inegável.

Por exemplo: se ouvimos no noticiário que um homem estuprou um bebê, ficamos imediatamente revoltados com ele, queremos que a justiça seja feita. O mesmo ocorre se ouvimos que o casal Nardoni lançou a menina Isabella, de cinco anos, do sexto andar de um prédio, ou que os nazistas torturaram e assassinaram mais de 6 milhões de judeus em campos de concentração, ou que os políticos corruptos roubem o dinheiro do povo e saiam sem condenação.

Por que isso ocorre? Porque essa Lei Moral existe. Ela está implantada em nossos corações, independentemente se nós a seguimos ou não. Isso significa que as pessoas podem infringir essa Lei Moral praticando atos contrários a ela mesmo sabendo que estão errados, assim como quebramos outras leis, mas a existência dessa Lei que nos direciona sobre o que é moralmente certo e o que é moralmente errado é inegável.

Mas em que isso prova a existência de Deus?

É simples: processos não-inteligentes não podem criar princípios morais. Por isso torna-se impossível que a moralidade seja obra de evolução das espécies, como dizem Geisler e Turek:

“O darwinismo afirma que existe apenas o material, mas o material não possui moralidade. Quanto pesa o ódio? Existe um átomo para o amor? Qual é a composição química da molécula do homicídio? Essas perguntas não fazem sentido porque partículas físicas não são responsáveis pela moralidade. Se os elementos materiais fossem os únicos responsáveis pela moralidade, então Hitler não teve verdadeira responsabilidade moral por aquilo que fez – ele tinha apenas moléculas. Isso não faz sentido algum, e todo mundo sabe disso. Os pensamentos humanos e as leis morais transcendentes não são coisas materiais, assim como as leis da lógica e da matemática também não o são. Eles são entidades imateriais que não podem ser pesadas ou fisicamente mensuradas. Como resultado, não podem ser explicadas em termos materiais, por meio da seleção natural ou por qualquer outro meio ateísta”[1]

Se o ateísmo fosse verdadeiro ou Deus não fosse um ser pessoal, não haveria qualquer diferença entre torturar e assassinar seis milhões de pessoas ou alimentar seis milhões de seres humanos famintos na África. Também não haveria qualquer diferença entre lançar uma criança do sexto andar de um prédio para matá-la ou salvar uma criança presa em um prédio em chamas. Nem consideraríamos mais louvável a atitude do bom samaritano da parábola que ajudou o homem que estava quase morto (Lc.10:33), em contraste aos outros dois que passaram pelo mesmo local e não prestaram qualquer tipo de ajuda.

Se tudo fosse matéria e se resumisse a composições químicas e partículas físicas, não haveria qualquer senso de moralidade pelo qual poderíamos distinguir o certo do errado nestes e em outros exemplos semelhantes. Isso nos leva a crer que existe uma Lei Moral de consciência no ser humano que o faz refletir sobre o certo e o errado e que tem sua fonte em algo externo a si mesmo, o que nos leva ao Criador do homem: Deus.

Outra forte evidência de que a moralidade humana (i.e, o senso de que existem coisas moralmente certas e outras moralmente erradas) não é fruto de evolução biológica nem é um mero “instinto” são os vários exemplos de altruísmo. A seleção natural, segundo os darwinistas, tende a favorecer aquele que é mais forte, mais esperto, mais inteligente e mais egoísta no sentido de preservação da própria vida e descendência. Mas, se é assim, por que há exemplos de altruísmo de pessoas que se sacrificam a si mesmas pelos mais fracos? E por que é de aceitação geral que esses sacrifícios altruísticos sejam considerados moralmente louváveis?

Por que há um senso de moralidade que diz que um negro deve ajudar um branco e um branco deve ajudar um negro, mesmo com o risco da própria vida? Por que, se vemos um completo desconhecido sofrendo risco de morte em uma casa que está pegando fogo, nossa consciência nos diz que é mais correto salvá-lo dali, mesmo correndo nós mesmos sérios riscos de vida se fizermos isso? Em outras palavras: por que existe uma moralidade humana que está acima de qualquer instinto natural egoísta de autoconservação, que jamais poderá ser explicado pelos materialistas?

C. S. Lewis dá um exemplo bastante esclarecedor. Suponhamos que você esteja vendo alguém sendo assaltado, e seu primeiro instinto natural seja o de não se envolver, enquanto seu instinto “mais fraco” seja o de ajudar. Ele diz:

“Mas você vai encontrar dentro de você, juntamente com esses dois impulsos, uma terceira coisa que lhe diz que deve seguir o impulso de ajudar e suprimir o impulso de correr. Esta coisa que julga entre dois instintos, que decide qual deve ser encorajado, não pode ser, em si mesma, um deles. Se fosse, você também poderia dizer que uma partitura musical que, em dado momento, diz que você deve tocar uma nota no piano, e não outra nota, é em si mesma uma das notas do teclado. A Lei Moral nos diz qual melodia temos de tocar; nossos instintos são meramente as teclas”[2]

Portanto, essa Lei Moral não é um “instinto”, mas vai muito além disso. Às vezes, pode ir até mesmo contra os nossos instintos! Os cidadãos alemães que ajudaram a esconder judeus em sua casa para que não fossem vítimas do Holocausto fizeram isso mesmo sabendo que tal atitude poderia custar-lhes a própria vida. Sua Lei Moral (consciência) lhes dizia que era mais louvável a atitude de salvar aqueles judeus do que de seguir o instinto natural de autoconservação.

Assim, vemos que essa Lei Moral existe, e que ela não é fruto do materialismo ateísta e nem de evolução biológica. Ela faz parte do consciente do ser humano, sobre princípios morais que não deveriam existir se Deus não existisse, isto é: se não existisse um Autor da Lei Moral. Um ateu inconformado pode questionar: “Mas eu não preciso de Deus para ser bom! Eu posso ser bom mesmo sem crer em Deus”!

De fato, é possível alguém ser bom sem crer em Deus, mas não seria possível qualquer pessoa ser boa se Deus não existisse. Isso porque essa Lei Moral é inata à consciência do ser humano, e a todos: não somente aos cristãos. Ateus, agnósticos, cristãos e não-cristãos possuem essa lei de consciência sobre aquilo que é moralmente certo e errado. Essa Lei Moral está em todas as pessoas, mesmo que muitas desejem viver a vida desobedecendo a estes princípios. Assim como o fato de existir uma lei que obriga os motoristas a pararem no sinal vermelho e há pessoas que mesmo assim furam o sinal vermelho mesmo sabendo que isso é errado, da mesma forma existe uma lei de consciência que é quebrada por muitas pessoas, mesmo sabendo que estão erradas em quebrá-la.

Então, a questão principal não é se é possível ser bom sem crer em Deus, mas sim se, se Deus não existisse, existiria qualquer razão para ser bom. Mais do que isso, a questão central é sobre o que pode explicar o senso de moralidade humana, pois já vimos que os métodos ateístas não explicam. Em outras palavras, essa Lei Moral e seu Autor (Deus) continuam existindo mesmo para aquelas pessoas que não creem nela ou nEle. É só por causa disso que elas possuem consciência daquilo que é certo e do que é errado, e só por causa disso podem optar por aquilo que é moralmente certo.

Dito em termos simples, um ateu pode ser bom porque Deus existe e Ele decidiu implantar essa Lei Moral em nosso ser, mesmo que um ateu não creia em Deus. Da mesma forma que a Estátua da Liberdade vai continuar existindo mesmo se eu não crer que ela existe ou nunca ter viajado a Nova York para confirmar a existência dela com meus próprios olhos, também Deus continuará existindo mesmo se os ateus não creem nele, e assim também a Lei Moral que está na consciência de cada ser humano – creia ele em Deus ou não.

O fato, portanto, é que essa Lei Moral existe, e, consequentemente, também deve existir o Autor dessa Lei Moral, que deve ser externo aos próprios seres humanos, algo a mais além da própria matéria. E a esse Autor da Lei Moral nós chamamos de Deus. Isso nos leva não apenas a crer na existência de Deus, mas também em sua pessoalidade. Afinal, uma força superior cósmica impessoal não possui qualquer senso de moralidade para implantar nos seres humanos.

Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Por Cristo e por Seu Reino,
Lucas Banzoli (apologiacrista.com)

(Trecho extraído do meu livro: "As Provas da Existência de Deus")


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[1] TUREK, Frank; GEISLER, Norman. Não tenho fé suficiente para ser ateu. Editora Vida: 2006.
[2] Mere Christianity, p. 22

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